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Tubarão

Antigamente pensava que, embora goste muito dele, tinha pouco em comum com meu pai. Não estava completamente errado, mas esta estória não é sobre isso.

Fomos lá no hospital Santa Maria, na minha cidade, pra render o turno da minha mãe, que está acompanhando meu tio na internação.
O hospital fica uns duzentos metros da casa dos meus pais. Mais duzentos metros e temos a casa do tio, e com mais duzetos é o cemitério. Tudo é perto na minha cidade, pouca necessidade de carro ou ônibus.

Só pra localizar melhor as coisas, esse tio não é um tio genérico, ele criou minha mãe como pai, logo é como se fosse meu avô. Todos chamamos ele de Nêgo (com ê mesmo). Ele tomava conta do pequeno eu de 5 anos (acho) enquanto minha mãe analisava amostras de sangue no laboratório. Mas meu tio também tinha seus compromissos de sacristão de uma paróquia, pra onde ele me levava. Lembro de ir pra uma extrema unção (ou era um velório?) onde fiquei cantando com o folhetinho virado de cabeça pra baixo.

Chegando na enfermaria do hospital mandamos minha mãe jantar. Eu tinha a intenção de entreter o doente, mas ele estava com a voz bem fraquinha pra conversar. Melhor uma estória. Então fiz a pergunta mágica ao meu pai sobre como vovô aprendeu a nadar tão bem vivendo num sítio no interior de Pernambuco.

Fernando de Noronha

Então, era uma vez meu bisavô, que não sei o nome, por causa de quem começa tudo. Tem essa estória vaga e difusa de que ele matou duas pessoas, em duas situações distintas, com tiros à queima roupa de seu perverso bacamarte. Me foi contado que ele socava vidro e pregos junto com a pólvora. Um dos tiros teria arrancado o coração de uma mulher e o outro a cabeça de um sujeito. Mas pode ter sido o oposto. A causa de tanta raiva pode ter sido fofoca e ciúme. Ele tinha uma amante e estavam contando pra minha bisavó. Meu bisavô, amante da paz que era tentou resolver do jeito dele. Contudo, nada é preciso nessa estória. Essas lendas de família são assim mesmo.

Fato é que nos idos de mil novecentos e dez e poucos os bandidos perigosos iam para… O que é que ele vai ganhar Lombardi? Uma viagem com tudo pago pra Fernando de Noronha, Silvio! E a estranheza só aumenta, meu pai contou que a família do condenado ia junto com ele, mas ficavam numa casa de verdade na ilha, e o meliante só precisava dormir na cela com provável vista pro mar. E essa era vida do meu bisavô, dormir no xilindró e fazer mais filhos durante o dia. Penso que ele só fazia pela diversão, mas cada filho nascido na ilha diminuia sua pena.

E foi assim que meu avô aprendeu a nadar, praticando dos 13 aos 18 em Fernando de Noronha, enquanto o pai cumpria pena por crimes hediondos.

Sabia desse conto só até essa parte, mas o mais legal de ouvir meu pai narrando tudo de novo é que sempre posso confiar na ampliação da estória com um detalhe que lembrou na hora. O detalhe dessa vez foi um tubarão.

Tubarão

Estavam pescando numa jangada lá no mar azul de Fernando de Noronha meu avô e seu irmão. Pescavam com anzol grande e corda resistente, esperando pegar algo graúdo. Pois foi um tubarão que veio, não sei a espécie, só sei que era do tipo com dentes afiados e do tamanho da jangada onde cabem duas pessoas.

Eles lutaram com o peixão por um bom tempo, até que o bicho virou o barquinho. Nessa parte da narrativa eu só acreditei que meu avô saiu vivo porque estavam o filho e o neto conversando sobre ele. Assisti muitos filmes de tubarão pra saber que o objetivo da espécie, em todas suas variantes, é o extermínio da raça humana. Veja o tubarão baleia por exemplo, aquele jeitão simpático dele, aquela boca de garagem de fusca, isso é só pra baixar nossa guarda.

Na vida real o tubarão com um gancho na boca só quer fugir. Vovô e seu irmão com suas inseparáveis facas (sim, os filhos do condenado andavam por aí com facas – eram aqueles tempos que todo mundo fala de amarrar cachorro com salsicha) só queriam um almoço de frutos do mar.

Bem, voltando, vovô conseguiu furar o tubarão e logo o bicho enfraquecia. Eles desviraram a jangada e jogaram o peixão no meio. Os pescadores adultos festejaram a habilidade e ousadia dos meus antepassados adolescentes e todos fizeram um feliz churrasco de tubarão.

Essas horas minha mãe já voltou e tenho um ônibus pra pegar.

Viva Las Vegas!

Quando o sujeito fica velho pensar no passado consome boa parte do tempo que ainda resta. Nesse meu último aniversário comecei a lembrar da época que era milionário, explorava minha e apostava tudo no vermelho 36. Eu devia ter uns 11 anos.

Las Vegas

Quando era pirralho alguém da minha rua (e “minha rua” aqui significa todas as ruas ao redor até as bordas do cemitério, que às vezes era incluído no território) teve a genialíssima idéia de inventar o dinheiro! Da mesma forma que alguém decidiu que um metal amarelo brilhante aparentemente inútil (eles não tinham processadores naquela época) valia mais que muitas vidas humanas, nós crianças decidimos que carteiras vazias de cigarro valiam algo. Lembro mais ou menos da escala: Hollywood valia 5 (tinha um cigarro bem ruinzinho que valia 1), Carlton valia 10, Camel e Marlboro eram 50, e um outro lá que todos chamavam de “capa preta” valia 100 (uma nota preta!). Quanto mais bling mais valor.

A senhora minha mãe é fumante antiga, acho até que tragava líquido aminiótico pelo cordão umbilical (por falar nisso, ela jura que não fumou na gravidez, mas não consigo acreditar nela porque isso explicaria muita coisa), e eu como mau filho que era estimulava seu vício pra pegar as carteiras vazias. O problema é que ela só fumava Hollywood o que me garantia uma renda muito baixa. Os moleques Bicho Solto eram mais empreendedores, andavam pelos bares e pelas ruas mais agitadas e faziam verdadeiras fortunas. Eu tinha de me contentar em andar olhando as sarjetas e ir pra casa às 9. Eu era classe média. Sim, a parte sobre ser milionário foi uma mentira pra prender sua atenção.

Mesmo todo esse dinheiro de carteiras de cigarro não podia comprar o mais reles chiclete, além de nossas necessitades básicas serem plenamente atendidas pelos pais. Então, o que nos restava fazer com o dinheiro? Ver quem era o mais rico é uma das primeiras coisas pra fazer num grupo de pessoas com dinheiro em excesso. Não tínhamos um top 100 da Forbes, mas Moacir era sem sombra de dúvida nicotinicamente podre de rico, tinha até carteira de cigarro importado. Todos se admiravam. Ele era o cara mais de rua que podia existir, e também era muito doido, do tipo Forrest Gump (me lembro agora da história de como ele ficou comovido quando meu primo o levou no puteiro — mas isso aqui não é mil e uma noites, então vamos voltar à história). E claro que foi Moacir, bilionário entrepreneur, que nos levou pro próximo nível das pessoas com dinheiro e sem ter com que gastar: o jogo!

Roleta

Moacir passou a andar com uma caixa, que desdobrada bem embaixo da luz de um dos poucos postes da grande ladeira no fim da rua, se tornava um cassino completo. Não exatamente completo, não tínhamos cartas, mas os dados e a roleta estavam lá pra quem quisesse apostar. “Derby?! Pode ir tirando esses couros-de-rato daqui que a aposta é alta: Carlton pra cima!”, “Porra, Moacir, aceita aí meus Hollywoods que ainda tá valendo.”, “Tá, tá, tá, então aposta logo essa miséria!” Cara, perdi tantos Hollywoods, mas foi melhor assim, em troca aprendi uma importante lição vendo Moacir enriquecer e todos os outros ficando pobres: no fim a casa leva.

Só tem um nível que nós ricaços das carteiras de cigarro não alcançamos: as putas. Nunca apareceu uma menina pra dançar no meio-fio do lado do cassino me permitindo colocar minhas carteiras vazias de Hollywood (provavelmente eu economizaria botando umas de Derby) na sua enorme calcinha de algodão.

Prince of PySide

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Cryptonomicon

Logo que terminei de ler Cryptonomicon, do Neal Stephenson, fiquei protelando escrever algo sobre o livro, mas seria injusto não falar uma coisa ou outra sobre ele. Vamos ver o que ainda tenho na cabeça.

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O livro é um tijolo de papel que vale cada árvore. Novecentas e tantas páginas onde o escritor não tem a menor vergonha de meter um gráfico de sino (aquele da probabilidade) ou um pequeno script perl. Mais ainda, Stephenson coloca tudo de uma forma que em vez de achar difícil você se sente mais inteligente (+2 na Int enquanto o livro estiver aberto).

A história se desenvolve em duas épocas: a Segunda Guerra Mundial e o Tempo Presente (anos 90, na verdade). Alguns personagens dos tempos mordernos são descendentes ou versões mais velhas de personagens da época da guerra. Outros personagens são reais (ou representações romanceadas de pessoas reais), como Alan Turing e o General MacArthur, que era muito figura. O livro alterna a narrativa entre as duas épocas, o que me deixou o tempo todo pescando pistas de todas as formas que o passado poderia influenciar o presente.

Não é segredo que o principal tema do livro é criptografia. Na parte da estória ambientada no passado são apresentados vários temas modernos da matemática. Não de forma didática, mas pelos olhos de quem estava descobrindo as novidades com a empolgação de um explorador do ártico. Lawrence Pritchard Waterhouse, amigo pessoal de Alan Turing, é uma dessas pessoas com o cérebro tão embriagado pela matemática que é normal ter epifanias geniais qualquer que seja a situação. Quando a guerra começa a esquentar Waterhouse está num navio em Pearl Harbor como músico da bandinha. Tendo sobrevivido aos eventos conhecidos, ele é inesperadamente descoberto como matemático über-cracker extraordinaire, promovido à oficial e mandado pra quebrar códigos nazistas em Bletchley Park e outros lugares.

Enquanto isso, nos tempos modernos, Randy Waterhouse, neto de Lawrence, é um hacker e empreendedor tentando, juntamente com seus amigos e sócios, criar um Data Haven numa ilha do Pacífico. E caçar tesouros.

Nesse ponto eu dou uma parada no post tipo “resenha” e mudo pra post tipo “vou fazer como quiser”.

O livro tem vários personagens legais, mas vou me fixar nos Waterhouse e nas minhas situações preferidas. E em Enoch Root, claro.

Enoch Root é um padre que aparece nas duas épocas, praticamente inalterado. Randy define ele como um Mago. Randy também se define como um Anão e outras pessoas como Hobbits. Essas comparações de pessoas com personagens das histórias de Tolkien e RPGs sempre me arrancavam um sorriso de satisfação — isso é algo que faço com muita freqüência (designers são Elfos, desenvolvedores são Anões).

Avançando um pouco, Randy é trancafiado numa cadeia em algum lugar pelas Filipinas. Enoch Root arruma um jeito de ser preso na cela do lado. Lá rola um diálogo que é o meu preferido no livro: Enoch Root explicando que os alemães perderam a WW2 por serem seguidores de Ares e os Aliados venceram por serem seguidores de Atena. Ele começa questionando pra quê os gregos precisavam de dois deuses da guerra. Eles não são exatamente iguais. Ares é a pancadaria, a carnificina e a destruição — o cara é um psico. Atena é diferente, começando que ela nasceu da cabeça de Zeus. E ela não é deusa só da guerra, ela é deusa da estratégia e, mais importante, da tecnologia. A marcha de destruição alemã não era apenas física, eles atacaram desde as artes até a por eles chamada “ciência judaica”. Eles tocaram Einstein (ele faz uma pontinha no livro) pra fora de lá, só pra citar um. Os aliados, pelo contrário, recebem a leva de cientistas fugidos e ainda proveem o habitat natural deles: um lugar para pensarem livremente (mais uma boa verba de pesquisa). Enoch Root elabora esse ponto melhor que eu (leia o livro), mas poderia resumir assim: “Smart guys have better guns”.

Waterhouse avô é meu personagem preferido, as situações são ótimas. Ele alterna períodos de intenso trabalho intelectual com luxúria desesperada que geralmente o leva pros serviços das moças da rua da luz vermelha. Waterhouse chega a fazer um gráfico da variação de concentração ao longo do tempo: o “horniness index”. Os períodos de tranqüilidade após um “manual override” eram sempre mais curtos que os que seguiam a ida às putas (ele é um marinheiro afinal de contas). Achei esse gráfico muito mais legal que o computador que ele inventou baseado num órgão de igreja.

Talvez não tão legal quanto quando Waterhouse percebe na beira da praia que toda a existência envia sinais criptografados para todos os lados, e se pergunta que informações estão codificadas na freqüência das ondas.

O livro é grande, com seqüências de ação, sagacidades, drogas, putarias, discussões filosóficas, heroísmo, códigos, quebra de códigos, submarinos, jatos, nazistas, nerdices, dinheiro, tesouros, mais códigos, e as missões para corrigir a curva do sino realizadas pelo destacamento 2702 (originalmente chamado destacamento 2701, mas esse número dava muito na vista, sendo ele o produto dos números primos palíndromos 37 e 73 — suspeitíssimo!). Se você quiser ler e completar as enormes lacunas dessa sombra de lembrança de resenha, então corra. Se está difícil conseguir o volume tem esse link de um dos maiores Data Havens do mundo: a mãe Rússia. спасибо!

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P.S.: e um valeu pro Marcio pelo livro.

Bible pr0n

Escrevo isso pra todos aqueles, incluindo a mim (fala, Amin!), que têm tanto receio de serem vistos lendo uma bíblia quanto de serem pegos pela mãe com uma Playboy da Cláudia Ohana na mão esquerda, fato vergonhoso pela mãe, pela outra mão, e ainda pelo gosto bizarro. (Fosse você um adolescente da família Van Helsing poderia alegar estudo privado de licantropia pubiana, mas isso ainda não explicaria a estaca na outra mão, que todos Van Helsing sabem se tratar de arma contra vampiros, não com lobis… seja lá o que for que está escondido embaixo daqueles pêlos.)

Imagino que o parêntese do último parágrafo cobre todo pr0n desse texto.

A repulsa pela a bíblia por parte das pessoas racionais e outros bichos parecidos provavelmente é gerada por causa do que ela e as pessoas que vendem esse peixe representam do que pelo conteúdo. Não vai faltar quem diga quantas mortes, guerras e manhãs de domingo entediantes aconteceram por causa de religião e tudo que lhe é relacionado. Também sobre a irracionalidade que causa nas pessoas e por aí vai. Por compartilhar vagamente dessas opiniões por muito tempo (e por ser importunado pra participar de grupos de estudo bíblicos de quanto em vez) algum mecanismo automático na minha cabeça colocava uma etiqueta de “anti- ou semi-racional” em qualquer pessoa segurando um livro preto de letras douradas e lateral das folhas vermelhas.

Moeda Romana

Moeda Romana com Otávio Augusto

Então eu esqueço esses problemas e vou ler qualquer outra coisa “de nível”, o que é esperado de uma pessoa racional. Vou de “A Desobediência Civil” de Henry Thoreau. “Sob um governo que prende qualquer homem injustamente, o único lugar digno para um homem justo é também a prisão.” É assim que se fala, Thoreau! (Embora eu mesmo não queira ir pra cadeia, e talvez você não tivesse ouvido falar de algo como Carandiru.) Texto vai, texto vem, chega na parte sobre governo, impostos e ele me vem com essa citação:

Cristo respondeu aos seguidores de Herodes de acordo com a situação deles. “Mostrem-me o dinheiro dos tributos”, disse ele; e um deles tirou do bolso uma moeda. Disse então Jesus Cristo: “Se vocês usam o dinheiro com a imagem de César, dinheiro que ele colocou em circulação e ao qual ele deu valor, ou seja, se vocês são homens do Estado e estão felizes de se aproveitar das vantagens do governo de César, então paguem-no por isso quando ele o exigir. Por­tanto, dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”; Cristo não lhes disse nada sobre como distinguir um do outro; eles não queriam saber isso.
A Desobediência Civil

Muito esperto Jesus, recebeu a bola e devolveu com efeito.

A Roda da Fortuna

A Roda da Fortuna

Depois fui pra George Orwell. Tem um ensaio chamado “Politics and the English Language”, onde ele discute como o pensamento de uma sociedade decadente corrompe a língua e como a língua corrompida aumenta ainda mais a decadência. Essa corrupção aparece na forma de textos vagos, usando uma colagem de frases prontas que esconde o que o autor quer dizer (às vezes dele mesmo) e ainda dão umas duas mãos de tinta de respeitabilidade em cima de baboseiras que se ditas claramente seriam rejeitadas no mesmo instante. Num dado momento Orwell mostra um texto claro, com imagens fortes e que passa a idéia básica do autor muito bem:

I returned, and saw under the sun, that the race is not to the swift, nor the battle to the strong, neither yet bread to the wise, nor yet riches to men of understanding, nor yet favor to men of skill; but time and chance to them all.

Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos. (Tradução de alguém na internet.)

E para demostrar seu ponto de vista reescreve o trecho no que ele chama de “inglês moderno”:

Objective consideration of contemporary phenomena compels the conclusion that success or failure in competitive activities exhibits no tendency to be commensurate with innate capacity, but that a considerable element of the unpredictable must invariably be taken into account.

Consideração objetiva de fenômenos contemporâneos compele a conclusão de que sucesso ou fracasso em atividades competitivas não exibe qualquer tendência a ser passível de redução à capacidades inatas, mas que a considerável influência do elemento da imprevisíbilidade deve ser levada em consideração. (Minha tradução.)

Essa comparação ilustra bem a idéia do ensaio, e o primeiro texto achei excelente (em português e inglês), quem o escreveu deve ter vivido o que dizia, e qualquer um lendo já deve ter passado algo assim. Quero dizer, é o tipo de preocupação com a qual todos podem se identificar. Recomendo duplamente o ensaio. E também o restante do texto-exemplo.

Holy Pr0n!

Holy Pr0n!

Outra coisa que acho legal é literatura inglesa, embora não tenha tempo e memória pra ficar esnobando nos círculos sociais por aí :P. Teve uma época que trabalhei numa biblioteca de faculdade e um livro encontrado por acaso (todos eram) e devorado (e os detalhes esquecidos. sabe, memória e tals, dammit!) chamava-se “A Literatura Inglesa” de Anthony Burgess (o cara de Laranja Mecânica (o autor, não o personagem)). O livro foi escrito como um mastigadão (no bom sentido) de literatura inglesa pra ajudar alunos do Burgess em algum lugar pela Malásia. A prova final de inglês incluía o conhecimento de obras literárias um tanto alienígenas pros caras de lá e o livro adicionava um pouco de contexto histórico. Pra um livro escolar achei esse um dos mais agradáveis de ler (não contando os trechos legais em livros de “Comunicação e Expressão”, mas esses acabavam logo e não tinha livraria na minha cidade pra comprar a versão integral) e demoliu uns muros velhos da minha antiga aversão à literatura.

Burgess começa falando das origens da língua, saxões, normandos e tudo mais, até que chega num capítulo sem número entre o 5 e o 6 com o seguinte título: “Interlúdio – A Bíblia inglesa”. E o primeiro parágrafo é o seguinte:

Vamos examinar muito sumariamente um livro cuja influência sobre a escrita, a fala e o pensamento inglês foi, e ainda é, imansa. A Bíblia não é basicamente literatura – é o livro sagrado do cristianismo -, mas recentemente vem se afirmando uma tendência crescente para apreciar a Bíblia por suas qualidades artísticas, para vê-la não só como a “Palavra de Deus”, mas como uma obra de grandes escritores. Sejam quais forem nossas crenças religiosas, se desejarmos ter uma apreciação integral do desenvolvimento da literatura inglesa, não podemos nos arriscar a negligenciar a Bíblia: seu impacto puramente literário nos escritores ingleses é talvez grande demais para ser medido.

A tradução da Bíblia (agora que tenho sua atenção posso usar o ‘B’ maiúsculo sem parecer um carola) para o inglês foi encomendada pelo Rei James I. A tarefa foi realizada (com muito cuidado) por 47 eruditos de 1604 até 1611 (foi muito cuidado mesmo). No final entregaram um texto tão bom que segura audiências até os dias de hoje. Segundo Burguess: “Não há escritopr que não tenha sido influenciado por ela – até mesmo escritores como Bernard Shaw e H. G. Wells, apesar de não serem cristãos, acabaram sucumbindo à sua força.”

Outro dia comprei uma King Jame’s Bible, logo de cara gostei dessa parte (Genesis 1:2):

The earth was formless and void, and darkness was over the surface of the deep, and the Spirit of God was moving over the surface of the waters.

(E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.)

Não sei se é tietagem minha com a língua inglesa ou se a versão em português me lembra ser acordado à força no domingo pra continuar dormindo numa posição desconfortável na igreja, mas gosto mais da versão Jamesiana do que a tradução nos parênteses. As palavras em “formless and void” e “darkness was over the surface of the deep” soam tão bem. E “the Spirit of God was moving over the surface of the waters” gera uma imagem mental do “Espírito de Deus” sendo uma Jamanta (não o caminhão, ou aquele louco de uma novela esquecida – o que nos leva a outra tietagem: “Jamanta” simplesmente não soa tão bem quanto “Manta Ray”).

"Then God said, 'Let there be light'; and there was light."

"Then God said, 'Let there be light'; and there was light."

Saindo da literatura e me interessando por eventos recentes. Todos (que pensam) já se perguntaram quanto do terrorismo fundamentalista islâmico é coisa de fundamentalistas, se o islamismo é mesmo violento em seu núcleo, ou se é inerente de qualquer religião, já que elas causam mortes guerras e constrangimento, como quando você é flagrado por seus amigos racionais lendo a Bíblia.

Esse assunto em particular é bem espinhento. Se você se der ao trabalho de procurar vai ter seu saco ou ovários enchidos até o limite com opiniões que vão de um extremo politicamente correto onde tudo é bom, todos são bons, ninguém pode ser ofendido e que mulheres de burka trancadas em casa são felizes do jeito delas, até o outro extremo (lá pelo lado direito) com pessoas que tudo que precisam é uma desculpa pra expulsar/matar/desintegrar os “alienígenas indesejáveis” do seu país.

Oriana Fallaci

Oriana Fallaci (foto "emprestada" de El País)

Persistindo dá pra encontrar umas pessoas interessantes, como Ayaan Hirsi Ali, aquela moça da Somália que escapou da família pra Europa e chegou a parlamentar nos Países Baixos. Ou a menos famosa (pelo menos pra mim) Oriana Fallaci, que aos 10 anos participou da Resistência Italiana, aos 16 era repórter, foi ao Vietnam como correspondente 12 vezes, e por aí vai. Meu episódio preferido é o da entrevista com o aiatolá Khomeini em 1979:

“Como é possível nadar com um chador [traje feminino que cobre todo o corpo, deixando apenas os olhos de fora]?”. A resposta do líder, Oriana escreveu depois no New York Times, foi que ela não era obrigada a usar um, já que se tratava de uma peça de roupa para mulheres islâmicas respeitáveis. A jornalista, então, rasgou seu chador na frente de Khomeini.
Morre a polêmica jornalista e escritora italiana

Mas o que interessa nesse texto é como ela se define como Ateísta Cristã no livro A Força da Razão. Dizem que o livro em si é tão polêmico que devia vir com um martelo e uma caixa de vidro escrita “Quebre em Caso de Emergência”, mas voltemos à afirmação:

Sou uma Cristã porque gosto do discurso que está nas raízes do Cristianismo. Porque ele me convence. Ele me seduz… Quero dizer, o discurso concebido por Jesus de Nazaré… que… se concentra no Homem. Que adimitindo o livre-arbítrio, clama pela consciência do Homem, nos faz responsáveis por nossas ações. Mestres de nosso destino. Eu vejo um hino à Razão, uma renovação do pensamento claro… escolha… a redescoberta da liberdade. A redenção da liberdade… uma idéia que ninguém jamais teve… A idéia de um Deus que se tornou Homem… Que falando de um Criador… se apresenta como seu Filho e explica que todos os homens são irmãos de seu Filho… capaz de exercer sua própria essência divina… pregando a Bondade que é o fruto da Razão, da Liberdade, espalhando o Amor… Jesus… como um homem… aborda o tema do secularismo… ele impede os covardes que estão para apedrejar a adúltera… ele ataca a escravidão… ele luta… ele morre. Sem morrer pois a Vida não morre. A Vida sempre ressucita, Vida é eterna. E, junto com o discurso sobre a Razão, sobre a Liberdade, este é o ponto que mais me convence… a negação da Morte, a apoteose da Vida… sua alternativa é a Não-Existência. E vamos encarar: tal é o princípio que guia e alimenta nossa civilização.

Essa tradução é do único trecho que pude encontrar na internet (sem recorrer a torrents de PDFs) onde Oriana Fallaci elabora essa idéia de Ateísmo Cristão dela. Veio de um artigo de uma revista conservadora norte-americana. Os conservadores provavelmente vão pegar a finada como Joana D’Arc involuntária deles ou sei lá, mas esse é ainda outro problema, que de fato não é meu.

O meu problema é que já escrevi bastante. Preciso pensar como finalizar isso tudo e botar umas figuras legais pra disfarçar a compridez do texto. Opa! Falei isso em voz alta?!

A conclusão não sagaz é o bom e velho “não julgue o livro pela capa” que o He-Man diria num final de episódio. Pensando mais um pouco dá pra perceber (eu pelo menos) que tomamos muita coisa como garantida, como esperar um comportamento decente por parte dos assim chamados Outros (citação obrigatória do Luck (não Luke): “Não se preocupe com os outros, tem muitos mais de onde esses vieram.”), ou que a civilização (no sentido de educação e respeito, não no sentido de eletrônicos chineses feitos por trabalhadores sem assistência social) brotou de grátis do nada como o mundo que o Grande Deus Jamanta tirou do vácuo. Bom, tem uma meia dúzia de idéias que fazem sua vida não tão ruim quanto a da galera num filme de Mad Max que, dentre outros lugares, veio da Bíblia. Por exemplo: “E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também.”, Lucas 6:31; ou “And as ye would that men should do to you, do ye also to them likewise.”, Luke 6:31. Então se me encontrarem lendo uma Bíblia por aí lembre de tratar os outros como gostaria de ser tratado e não me encha o saco. Aliás, sinta-se livre pra tratar os outros direito (estou levando em consideração que você não é masoquista), quer saber, pra ficar mais fácil ainda: deixe-os em paz. Do que estamos agora pra isso já seria uma grande melhora.

Mensapocalypto

Existe essa associação chamada MENSA, ela aceita apenas as pessoas muito inteligentes como membros. Os candidatos fazem uma prova, parecida com aquelas de Q.I., e apenas os 2% melhores são aceitos.
Reza a lenda que o governo dos EUA levaria os membros da MENSA para abrigos nucleares especiais de onde sairiam para ajudar a reconstruir a civilização.

Dr. Egon Boiffard
Então um dia alguém da Junta de Chefes declara DEFCON 1. Todos os gênios cadastrados pela MENSA são arrancados de suas casas por caras do serviço secreto, deixando pra trás seus menos dotados entes queridos. Lógico.

Depois do choque inicial os escolhidos passam o tempo comendo comida enlatada, jogando xadrez e montando cenários hipotéticos do que iam encontrar quando saíssem do bunker.

Qual o sistema de governo ideal? Como gerir a economia para garantir crescimento e prosperidade para todos sempre? Como manter as pessoas inteligentes e instruídas? Como manter alguma categoria de pessoas burras enquanto não desenvolvem robôs trabalhadores braçais?

Nenhuma surpresa que o excesso de testosterona intelectual mais a falta de pessoas menos inteligentes com as quais ficar se medindo levou à atritos. As rusgas iam desde a instituição de fábricas de bebês perfeitos ao uso de *really* smart drugs até mesmo a criação de notas de 42 dólares.

Quando todos estavam prestes a se matar eis que os indicadores dizem que é seguro sair e as portas se abrem automaticamente. Os geniosinhos mimados correm para fora onde encontram destruição mas também uma multidão maltrapilha. Os do mundo exterior ficam curiosos a respeito dessas pessoas de aspecto tão bem cuidado dadas as circunstâncias e se interessam por sua história. Os cabeçudos tentam todos contar a história ao mesmo tempo, cada um se considerando mais capacitado para tarefa.

Alguns dias depois a multidão acampada finalmente consegue discernir o sentido do que os escolhidos representam e da sua proposta. Sendo assim tomam a atitude mais inteligente que uma multidão de indivíduos bem adaptados o suficiente para sobreviver ao pior de uma guerra atômica sem toda a parafernália tomaria: matar a todos numa frenética orgia de sangue, vísceras e cérebros. Muito feio de se ver, mas pessoas têm de extravasar depois de serem lançadas num inverno nuclear enquanto tentavam levar suas vidas, não?

E pra história ficar mais freak ainda, imaginem algo como um final do He-man ou dos Thundercats, onde todo mundo pára pra dar a moral da estória. Isso mesmo, a moral da estória Essa coisa meio vitoriana que de alguma maneira ressurgiu nos desenhos dos anos 80. Vejamos…

Um dos sobreviventes maltrapilhos olhando pra câmera, o festim sangrento ao fundo. Ele sorri, brincando com um coração em suas mãos vermelhas: “Crianças, lembrem-se de também pensar com o coração.” Ele sorri, pisca, e corre em direção da animação.

There's a Starman waiting in the sky

Conversa com minha filha, deitado com ela num banco e olhando pra um céu de poucas estrelas.

ela: “Olha, tem uma estrela ali.”
eu: “Só tem uma.”
ela: “Não, tem mais duas, mas são bem pequenininhas.”
eu: “É mesmo. Sabia que elas podem estar mais longe que essa que parece grande? Pode ser que chegando bem perto a pequenininha seja mais brilhante que essa maior. Só tem que chegar perto.”
ela: “Eu posso ir num foguete.”
eu: “É, um foguete pode servir.”
ela: “Ou um avião.”
eu: “Um avião que voa no espaço.”
ela: “Não, um avião que voa de noite!”

Redenção em Shawshank

Numa madrugada dessas da vida assisti um filme aleatório, se chamava “Um Sonho de Liberdade”, e é baseado num conto de Stephen King, mas só reparei no autor muitos anos depois. Eu pensava que ele só escrevia histórias com horrores alienígenas. Esse filme é um desses que se ninguém avisar você não dá nada por ele, pelo menos assim me parecia na época, passando na sessão guarda noturno/insone crônico.

É a história de como o rico banqueiro Andy Dufresne pegou vinte anos na prisão de Shawshank por assassinar sua amada esposa e o cara que estava comendo ela. Na verdade ele não assassinou, mas ora, todo mundo é inocente em Shawshank.

Red e Andy assistindo um filme em Shawshank

Ele então conhece Red (que eu teimo em chamar de Morgan Freeman e, cara, se você quer fazer um filme bom ficar melhor, coloque Morgan Freeman na narração, mas tenha o cuidado do casting parecer casual, ou as pessoas dirão “putz, o diretor quis Morganfreemizar o filme”), que é um muambeiro em Shawshank. Red não ficou muito impressionado com Andy

“Tenho de admitir, não achei grande coisa de Andy a primeira vez que pus os olhos nele. Parecia que uma leve brisa podia soprá-lo pra longe. Esta foi minha primeira impressão sobre o homem.”

Toda prisão tem tarados (deve ser um esquema de cotas), e estes sim acharam grande coisa de Andy, que era mesmo ruim de briga. Ele foi ruim de briga por cerca de um ano. Depois muita coisa que você só vai saber assistindo acontece, e tudo culmina (atenção spoiler!) na fuga de Andy da prisão descrita assim por Red:

“Andy rastejou para liberdade por quinhentas jardas de merda tão fedida que nem posso imaginar. Ou talvez eu só não queira.”

Foi mesmo uma fuga espetacular. Mas o legal do filme é o tema de como os muros da prisão ficam mais na cabeça dos detentos do que ao redor deles. Como Brooks, que é liberado com seus 70 e tantos anos, a maior parte vividos em Shawshank, e não consegue se adaptar no mundo exterior, logo cometendo suicídio. Red tem medo que isso aconteça com ele, mas sente que o processo já começou. Andy é o único que mantém a integridade psicológica, ele é o único que nunca esteve preso ali, e foi capaz de executar um plano de fuga de quase vinte anos. Não seria nem uma fuga, ele só estava indo embora.

Outro personagem interessante é o Tommy, que vivia de pequenos delitos e roubos pouco habilidosos, entrando e saindo de prisões e reformatórios. Ele não conhecia outra vida, provavelmente nasceu com os muros da prisão na cabeça. Andy diz que ele é um ladrão muito incompetente e sugere uma mudança de carreira, se propondo a ajudá-lo a tirar um diploma supletivo. Numa conversa Tommy conta uma história que ouviu de um condenado em outra prisão que esteve, uma informação que poderia inocentar Andy. Então acontece uma tragédia… ah! Vá ver o filme do cara que rastejou por um rio de merda saiu limpo do outro lado.

Ouvindo uma musiquinha em Shawshank

E 500 jardas são 457,2 metros.

Crysis Warhead

Hoje devia ser um dia muito especial. Comprei Crysis Warhead. De verdade, na loja, de papel passado, diante de Deus! É a primeira vez que tenho um hardware decente pra jogar seriamente e não só ficar olhando nas revistas (é faz muito tempo, nem tinha internet quando eu já não podia jogar os melhores jogos).

Podia ter baixado o jogo como todo mundo faz, mas agora que a vida não está mais tão porcaria pensei ser interessante não mais agir de forma porcaria e pagar pelo jogo. (Esse pensamento foi um tanto marxista.)

Voltando ao raciocínio, isso era pra ser muito especial. Digitar serial é coisa que eu nem lembro pra que serve (só uso Windows pra jogos, o resto do tempo é “apt-get” ou “emerge”). Levou um longo tempo pra instalar a bagaça, fiquei pensando nos reviews que vi no YouTube, na diversão de jogar o primeiro Crysis por 7 horas seguidas no computador do dandrader. Cara, foi esse jogo que me fez comprar esse monstro de máquina cara com placa GeForce foda praticamente trazida do futuro pelo Conan! Depois de tudo pronto, o dedo coçando no mouse, essa porra de jogo me diz que as cinco instalações que eu tinha direito já foram feitas e por motivos de segurança o jogo não ia rodar. Segurança de quem CARALHO?!

O que fode tudo, tudinho mesmo, é que meu ódio poderia matar plantas, fazer vacas de duas cabeças nascerem e o Galvão Bueno pedir desculpas por todos esses anos sendo um idiota. Mas tuda essa energia não tem qualquer direção. Não é culpa da moça que me atendeu tão simpaticamente na Saraiva, não é culpa dos game designers, dos programadores, nem do hardware. Provavelmente é culpa de algum advogado de direitos autorais filho da puta que foi abusado quando criança por rottweilers num filme que só foi apreendido pelo FBI depois que todo mundo da escola dele assistiu. Um desses colegas de escola deve ter dividido quarto com ele na universidade de direito.

Bem pode ter sido outra pessoa. Não importa, ela é inatingível pra mim. Eu não posso ligar esporrando pra ninguém, tudo que posso fazer é baixar um crack no torrent com minha conexão sofrível e torcer pra que dê certo.

Claro que posso devolver na loja, pegar meu dinheiro de volta e minha reclamação débil subir a cadeia de consumo até algum lugar misterioso nos Himalayas. É como levar uma surra de olhos vendados. É tão broxante que não dá nem pra se masturbar como atividade compensatória.

Caras do DRM, vocês podem se achar o máximo mas vocês são todos filhos da puta e… pensando bem, eles não devem estar lendo isso aqui porque estão com as cabeças enfiadas em seus próprios cus. Então essa é pra você programador/game designer/etc aleatório que está lendo isso: NUNCA ponha ou deixe que outros coloquem DRM nos seus jogos. Toda vez que você faz isso um fã morre e seu árduo trabalho vira merda.

Update: consegui jogar o treco burlando o DRM e enfim jogar “as it meant to be played”, como diz o logo da NVidia. Baixe esse DLL[1] e coloque no diretório bin32 sobre um DLL de mesmo nome, lá onde o Crysis foi instalado. Ele vai quebrar o esquema de DRM e deixar você se divertir com seu jogo legalmente comprado com seu dinheiro honesto. Mesmo assim depois vou trocar o dvd lá na saraiva.

[1] http://rs498.rapidshare.com/files/146438698/tdm-cw.zip

Da Terra dos Testes Bobos


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